Chocolate

Páscoa: micro e pequenos empreendedores investem no sabor e no bom preço

Opções caseiras, além de saborosas, contribuem para o comércio local em meio à pandemia de covid-19

A Páscoa se aproxima e ovos de chocolate sempre fazem parte do desejo das pessoas. Porém, devido à pandemia, muitas delas têm optado por comprar de microempreendedores, estimulando a economia local. Mas engana-se quem pensa que o chocolate artesanal é algo não tão profissional. Os micros e pequenos empreendedores não ficam atrás das grandes empresas e inovam ao produzir com muito conhecimento, profissionalismo e carinho.

Há cinco anos a chef de cozinha, Pricila Manzano, trocou a carreira de gerente de gráfica para se dedicar a gastronomia. Ela conta que algo que começou como renda extra se tornou uma grande paixão. “Na época eu decidi vender tortas como forma de complementar minha renda. E percebi que estava dando mais dinheiro que meu antigo emprego. Por isso resolvi investir na área e me mudei para São Paulo para estudar gastronomia. Após o curso, no final de 2019 voltei para Cuiabá e comecei a trabalhar com caldos saudáveis e tortas na Tarte Torteria. Aos poucos os doces também foram entrando no cardápio”, conta.

Em 2020 a chef se preparava para realizar a primeira Páscoa, porém a pandemia acabou atrasando os planos. “Tinha comprado tudo para fazer os ovos, mas com a pandemia preferi não arriscar. Acabei focando apenas em sobremesas”, relembra.

Para a Páscoa de 2021, Priscila pensou em soluções mais econômicas e não menos criativas. Ela conta que não produzirá os tradicionais ovos de chocolate e lançou caixinhas para presentear com o brigadeiro americano, conhecido como "fudge". Cada caixa vem seis unidades nos sabores: caramelo salgado, limão siciliano, laranja com castanhas, frutas vermelhas, menta com chocolate, nozes com damasco, confetti e oreo.

“É uma opção ótima para presentear, principalmente com todo o cuidado com a embalagem, decoração e apresentação do fudge. A ideia é ser um presente criativo e saboroso. Além de ser uma opção mais em conta para quem não quer gastar tanto”, afirma.

Pricila destaca ainda, que devido ao grande número de pedidos de clientes ela também está produzindo ovos de colher. O diferencial dos produtos são os chocolates belga e os sabores: Chocolatarte, Ferrero Rocher, red velvet, Kit Kat, brownie ninho e Nutella, bombom de fruta (morango e uva).

“Assim como o fudge os ovos de colher possuem sabores diferenciados, algo que os meus clientes já estão acostumados, além de produtos de qualidade. Achar os fornecedores certos é importantíssimo. Apesar de ser um dos pontos de maior dificuldade em Cuiabá, exemplo disso, é que sofri para achar embalagens”, aponta.
Apesar do momento de crise Pricila está com uma expectativa positiva para Páscoa. “Eu sempre tive essa vontade de empreender. E eu não consigo ficar parada, estou sempre em busca de novos desafios e objetivos. Com a pandemia foi preciso me adaptar, trabalhar de casa, dar destaque para as mídias sociais, trabalhar bastante com o Whastapp. Além de tomar todos os cuidados sanitários. E desde que lancei meu cardápio de Páscoa, venho recebendo pedidos até de São Paulo, de clientes que querem presentear familiares em Cuiabá. Esse ano o pessoal está comprando com antecedência. E algo que tenho sentido dos meus clientes é essa vontade de comprar do pequeno para ajudar a economia local”, ressalta.

Mesmo pensamento da confeiteira, Leide Evangelista Bruschi. Ela que trabalha há 10 anos na área diz que também tem sentido esse apoio da população ao comprar do pequeno negócio. “Na verdade, sempre sinto isso, principalmente nas datas mais importantes. Graças a Deus já tenho uma clientela fiel e eles sabem do sabor e da qualidade dos nossos produtos”, afirma

Evangelista assim como foi com a chef Pricila Manzano, se apaixonou pela profissão ao começar a vender cupcakes para fazer renda extra. “Quando eu tive a minha primeira filha, queria fazer trabalhar com algo que me desse liberdade para cuidar dela e fazer parte da vida dela e ganhar um dinheiro. E foi por isso que comecei a fazer doces. Fui vendo que deu certo e quando me mudei de Mato Grosso do Sul para Cuiabá em 2014 abri a loja Maria Baunilha. De lá para cá tive altos e baixos, cheguei a fechar e reabrir de novo a loja, mas sempre trabalhando com encomenda. Hoje, muito por conta da pandemia também, não tenho mais o atendimento no balcão e estou trabalhando apenas com encomendas e cursos”, conta.

Leide explica que atualmente 75% do faturamento dela é devido as encomendas e os outros 25% são dos cursos. “Eu gosto muito de atender o cliente no balcão, ajuda muito a conhecerem os meus produtos, mas não estava valendo a pena. Como grande parte do meu faturamento é encomendas estou focando nisso. E agora que estou dando cursos, ensinando a fazer, fez mais sentindo ainda fechar para o atendimento. A meta é fazer com que 50% do meu faturamento seja de encomendas e 50% dos cursos”, conta.

Para a Páscoa de 2021 a confeiteira preparou opções de ovos de colher nos sabores: bomb brownie, choconinho, cookão, brigacake, hope egg, red velvet, perdição e limão siciliano de aproximadamente 750g cada. E de 1,5kg ovos trufados nos sabores: cookies com Nutella, doce de leite com flor de sal, bomb brownie, brigadeiro.

“Ano passado, apesar da pandemia tivemos o melhor anos de todos, então a nossa expectativa para esse ano é pelo menos fazer igual. Como já tenho uma clientela que está acostumada com nossos produtos selecionei sabores tradicionais e algumas inovações. Inclusive costumo pegar os sabores de bolos que mais saem e uso eles nos ovos, porque são os mais pedidos”, detalha.

A empreendedora conta que semana passada seu marido Marcelo faleceu e por conta disso não conseguirá realizar todas as ações planejadas para a Páscoa deste ano. “Eu voltei a trabalhar essa semana e preferi focar nas coisas mais básicas como os ovos, algumas das opções do cardápio de Páscoa já fechei para encomendas. A ideia é conseguir fazer tudo com qualidade e sabor que os meus clientes estão acostumados. O momento é difícil, mas é preciso muita força para continuar”, afirma

Nesta Páscoa Leide também iniciou os cursos “Viver de encomenda”. “É um projeto que comecei agora, em março fiz uma turma presencial com três pessoas, para manter o distanciamento e ter todos os cuidados sanitários. E após a Páscoa quero começar a gravar as aulas para o curso online. Com isso consigo atingir ainda mais clientes”, explica.

Estratégias de vendas

Segundo Inajara Marques Amorim, da gerência de conexões empresariais do Sebrae/MT, o mercado de ovos artesanais é atraente para pequenos empresários. “É sensacional porque as pessoas não buscam mais a mesmice que a indústria tem. Elas querem um ovo cheio de surpresas”, destaca.

A profissional dá uma dica para quem for produzir: oferecer opções mais baratas para o consumidor fragilizado pela crise. A venda antecipada é outra estratégia que pode ajudar o pequeno empresário a captar demanda antes dos concorrentes. E, acima de tudo, é preciso inovar sempre para conseguir se destacar da concorrência.

“Outras opções para impulsionar as vendas são: irá produzir para algum nicho específico? Exemplo, zero lactose, zero açúcar. É importante avaliar esse público e a demanda dessa especificidade. Ovos gourmet enchem os olhos, mas é preciso ter bastante cuidado com as embalagens. Ofereça combos ou kits de ovos menores. Fotos vendem muito, então invista em fotos legais, cuide da iluminação, itens de decoração”, conta.

Esse cuidado com as fotos dos produtos de Páscoa foi algo que a chef Priscila entendeu como necessário e que ela deu prioridade. “Sabemos que as pessoas são muito visuais, ainda mais na Páscoa, então caprichei para produzir fotos legais destacando todo o trabalho envolvido na produção dos ovos e do fudge. A ideia é deixar o cliente com água na boca mesmo”, argumenta.

Para a confeiteira Leide Evangelista as mídias sociais estão sendo essenciais, principalmente com a pandemia. “É algo que estou o tempo todo estudando, pesquisando, olhando novas formas de fazer. Já que sou eu que cuido do Instagram. Geralmente nas grandes datas como Páscoa, Natal, eu trabalho com um fotógrafo, mas esse ano acabei eu mesmo produzindo as fotos e vídeos, pois o Marcelo estava internado. O fato de eu já ter uma clientela que me acompanha por lá também ajuda”, destaca.

As mídias sociais foram um grande atrativo para a assistente social, Rosana Guedes. Foi pelo Instagram que ela escolheu o que comprar para a Páscoa. “Eu vi as fotos, que chamaram muito a atenção, principalmente os ovos de colher. O pessoal está muito criativo este ano. A gente acaba comendo com os olhos”, brinca. O preço também foi algo que determinou a escolha dela. “Esse ano as empresas puderam se preparar melhor para essa nova realidade que estamos vivendo e trouxeram preços para todos os bolsos. O que não dá é deixar a data passar em branco”, afirma.

Compre do pequeno

Diante do cenário atual da pandemia, quando muitos estabelecimentos enfrentam dificuldades para manter as portas abertas, esse é o momento ideal para mostrar a força da comunidade. Agora mais do que nunca, segundo a diretora técnica do Sebrae, Eliane Chaves, é preciso fazer a economia girar dentro do município, por isso a gente incentiva comprar do pequeno negócio nesta Páscoa.

"Ao valorizar os pequenos negócios, consumir chocolates e produtos locais, colaboramos com toda a sociedade. Isso porque o ecossistema de pequenas empresas, comércios, serviços, produtor rural envolve e mobiliza não só um empreendedor, mas toda comunidade ligada a ele. O que ajuda a fortalecer e manter o estabelecimento aberto ao mesmo tempo em que contribui para geração de emprego e renda", explica.