Oportunidade

Plano Safra estimula implantação de energia solar no agronegócio

Foram aprovados R$ 2 bilhões para projetos de inovação, incluindo usinas fotovoltaicas. O Sebrae MT dá todo suporte técnico.

A energia solar fotovoltaica está cada vez mais presente no agronegócio e recebe um novo impulso com a inclusão no Plano Safra 2020/2021 de cerca de R$ 2 bilhões para projetos de inovação, um aumento de 33,3% em relação ao período anterior. A ampliação dos recursos da linha de financiamento Inovagro vai permitir que novos projetos sejam implantados.

O engenheiro eletricistas, José Valdir Santiago Junior, analista da Unidade de Sustentabilidade para os Pequenos Negócios do Sebrae em Mato Grosso, ressalta que o momento de investir em energia solar fotovoltaica é agora e justifica sua afirmação lembrando que com a suspensão temporária do aumento da tarifa de energia elétrica em função da pandemia do novo coronavírus atrelado também pelo socorro bilionário de R$ 16,1 bilhões, autorizado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) para o setor elétrico, o valor das contas de energia elétrica dos consumidores, empresas e produtores rurais vai disparar a partir de 2021.

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Mato Grosso (Sebrae MT) disponibiliza soluções sob medida na área de energia fotovoltaica. Os técnicos fazem estudos de viabilidade técnica e financeira, elaboram os projetos elétricos e prestam serviço de acompanhamento técnico na fase de implantação da usina solar. Vale ressaltar que o Programa Sebraetec garante subsídios de até 75% nos projetos elétricos.

O Sebrae também disponibiliza gratuitamente um aplicativo para as empresas, denominado de Sebrae Solar,  que permite ao usuário simular o dimensionamento de sistemas fotovoltaicos.

Em 2019, o produtor rural Nei Luiz Dariva implantou um sistema fotovoltaico em sua fazenda, no município de Nova Mutum (242 km ao norte de Cuiabá), e se diz muito satisfeito com o investimento de R$ 251.665,86 (equipamentos e instalação), obtido através da linha de crédito FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) do Banco do Brasil. “O que deixo de gastar com o pagamento da conta de energia elétrica pago a parcela do financiamento e ainda sobra dinheiro para outros investimentos na infraestrutura da propriedade, capacitação dos funcionários, qualidade de vida, moradia (todo mundo tem ar condicionado em casa na fazenda)”, revela. O valor da conta de energia elétrica, que girava em torno de R$ 4.680,00 por mês, foi reduzido em 95%, em média.

Segundo ele, o sistema está funcionando “redondinho” e não tem custo de manutenção. “Basta ter sol para ele operar”, brinca.

Dariva participou na ocasião do PLUZ - Programa de Financiamento de Energia Solar para Pequenos Negócios, uma parceria entre Sebrae, Banco do Brasil e WEG, e se cadastrou para instalar uma usina fotovoltaica na sua propriedade, cuja área tem 1.700 hectares, sendo 1.230 ocupados com os cultivos de soja e milho.

O sistema fotovoltaico, que conta com 241 módulos, tem capacidade de potência máxima de 70,0 kW AC e produção média mensal de 8.400 kWh/mês. Gera energia para três unidades consumidoras cadastradas – duas na fazenda (armazém de processamento e área geral), e a residência do produtor na área urbana do município de Nova Mutum.

Ele ressalta que a redução dos custos com energia torna seus produtos mais competitivos no mercado, visto que são  beneficiados. Comercializa as safras no mercado estadual (sobretudo para produção de etanol), nacional (granjas suínas e de frango do Paraná) e internacional (exportação).

Lucas Barbosa Moreira, da Unidade de Atendimento do Sebrae em Alta Floresta, fez a consultoria inicial de avaliação técnica e financeira do projeto, apresentando os valores do investimento, payback que ficou em 4 anos e meio, área necessária, potência ideal do sistema fotovoltaico e economia anual na conta de energia. O projeto elétrico recebeu subsídio de 70% através do Programa Sebraetec. A WEG forneceu os equipamentos e a instalação do sistema fotovoltaico foi feita por meio de um instalador local, a empresa Campo Solar, gerando emprego e renda para a região.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), os investimentos em energia solar nas propriedades rurais já passam de R$ 1,7 bilhão no País. Os produtores rurais representam atualmente por 11,7% da potência instalada na geração distribuída a partir do sol no Brasil.

Versátil, a energia fotovoltaica tem diversas aplicações na produção rural, podendo ser utilizada desde o bombeamento de irrigação até a iluminação e monitoramento da propriedade, entre tantas outras funcionalidades. Ela reduz os custos com eletricidade, aumenta a segurança elétrica, protege o consumidor contra os aumentos das tarifas de eletricidade, aumenta a oferta de energia elétrica na propriedade rural, torna a produção no campo mais limpa e sustentável e agrega valor à marca do produtor rural, em suma aumenta a competitividade dos produtos.